A Look at Upcoming Innovations in Electric and Autonomous Vehicles Depois do bloqueio às plataformas, a dependência do jogo continua a exigir cuidado

Depois do bloqueio às plataformas, a dependência do jogo continua a exigir cuidado

Com o avanço das medidas contra as apostas online no Brasil, cresce a atenção para as pessoas que desenvolveram uma relação compulsiva com o jogo. Dívidas, conflitos familiares e tentativas repetidas de recuperar perdas podem indicar que o problema de saúde segue existindo, mesmo quando as plataformas deixam de operar.

Quando a aposta deixa de ser diversão?

Segundo o psiquiatra Dr. Alfredo Holanda, o problema nem sempre aparece junto com grandes perdas financeiras. Muitas famílias só percebem a gravidade quando surge uma dívida importante, mas sinais anteriores costumam estar presentes, como pensar constantemente na próxima aposta, aumentar o tempo dedicado ao jogo e esconder quanto dinheiro está sendo gasto.

Entre os comportamentos que merecem atenção estão mentir sobre o tempo e o valor investido, comprometer salário ou economias, apostar para tentar recuperar prejuízos, apresentar mudanças no sono e no humor, abandonar atividades importantes e enfrentar conflitos familiares. Para o especialista, outro alerta é a tentativa frustrada de parar: quando a pessoa decide interromper o jogo, mas volta repetidamente às apostas, o quadro exige avaliação profissional, e não apenas força de vontade.

Os impactos alcançam a família

O problema também atinge quem convive com o apostador. Familiares podem enfrentar endividamento, desgaste emocional e quebra de confiança. Dr. Alfredo Holanda afirma que conversar sem julgamento e buscar ajuda especializada tende a ser mais produtivo do que apenas cobrar que a pessoa pare, já que a intervenção precoce amplia as chances de recuperação.

Caminhos de tratamento e apoio

O transtorno do jogo é reconhecido como um transtorno de comportamento aditivo, e o tratamento depende da gravidade do quadro. A psicoterapia, incluindo abordagens como a terapia cognitivo-comportamental, ajuda o paciente a identificar gatilhos e a lidar com o impulso de jogar. O acompanhamento psiquiátrico pode ser indicado quando há outros transtornos associados, como ansiedade ou depressão, sendo a necessidade de medicamentos avaliada individualmente.

Medidas práticas também fazem diferença, como dificultar o acesso ao jogo, usar mecanismos de autoexclusão e organizar o acesso ao dinheiro, com apoio familiar quando necessário. No Ceará, o tema já integra ações de educação financeira do Estado, e em julho o Procon Ceará multou uma plataforma de apostas em mais de R$ 850 mil após uma consumidora que havia pedido autoexclusão conseguir se recadastrar e voltar a depositar.